Bicho nu

Postado em 12 de maio de 2015

Eu estava ali e ele girava em círculos. Um freio inesperado, uma coisa. Não era um tatu. Não havia casco. Um rato-gato, um gato-ratazana. Com bico de tamanduá. E muitos círculos. Me esgueirei para não atrapalhar seu movimento reflexivo. Naquele momento minha cabeça se expandiu e eu me conectei com um sentimento inexplicável de estranheza. Estávamos juntos, eu e o bicho, naquele sistema. O carro atrás de mim ignorou meu curto e exasperado drama existencial. Quase mata o meu espelho. Subi inflamada de acontecimentos moribundos. Tomei água. Engoli. Tem sido assim. Só sai nos poros o meu espanto.

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