Expectación

Postado em 12 de maio de 2015

Gosto muito de assistir às plateias da minha bolhinha. Sábado, em apresentações fechadas para escola, pude observar diversos comportamentos inusitados. A descoberta do riso em ondas das crianças é um deles. Às vezes é tosse. Já vivi uma onda de canção. Mas, naquele dia, vi um menino jogando enquanto via a peça, a mãe do lado. Meu primeiro raciocínio é sempre: tempos multifocais. Atenção exclusiva talvez seja um luxo nesses dias. Ele se relacionava, olhava, ria, buscava cumplicidade com a mãe. E jogava enquanto via a peça. Na minha frente, também uma mãe e um filho assistiam à montagem. Das primeiras risadas às primeiras dúvidas de palavras, ele foi caminhando mansamente da cadeira para o colo dela. O que já não era tão audível se tornou um sussurro continuado de uma aprendizagem completamente orgânica. No sentido de ligada à vida. Ao passo que dizia o significado de algumas palavras ainda desconhecidas, lembrava ao menino de que era necessário prestar atenção. Nesses tempos isso quer dizer escuta. Mais do que garantir a compreensão da peça, aquele foi um momento bom de cumplicidade não virtualizada. E nada me garante que o momento mãe-filho-jogo-no-tablet foi menos. Ler gente é tão embotado quanto ler tempo.

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