Sobre anteontem

Postado em 2 de janeiro de 2016

Dois mil e quinze foi tão infinito que nem conseguir escrever antes do ano acabar, aqui nesse consultório a céu aberto. Aliás, escrevi pouco de modo geral. Pensando retrospectivamente, cumpri uma lista de coisas imprevistas que aconteceram e me tomaram, sem que eu tenha cavado objetivamente, mas a gente sempre cava, para o bem e para todas as outras coisas.

Perdi dois amigos fisicamente, a mãe das minhas irmãs também se foi. Desliguei o interruptor outra vez, para pessoas, situações, lugares, essa metáfora que ainda segue comigo, não sei ainda se para o bem ou se para todas as outras coisas, mas segue. Não fiz rituais, como no ano passado, fui para a rua, pouco mentalizei, resolvi começar recomeçando e agindo. Pensei em uma nova metodologia de foco, de foca. Estou cumprindo. Só por hoje, mais um dia, tudo isso é bastante sério. Revisitando, para não ser completamente injusta e focada in the dark side of the moon, comecei o ano viajando para Conquista, com Masturbatório, peça de 2014, estreei “O mundo de dentro”, a convite de Mariana Moreno, com texto de Luciana Comin e com as meninas e Leo Villa e Marconi Araponga no elenco; inaugurei o Inspiratório, proposta de Fabiana Pimentel, que encontrou minha total animação, comecei a produzir o projeto Tripa – Trilogia do Patrocínio, a convite de Rafael Rebouças, passei como professora substituta no IHAC/UFBA, pro BI de Artes, e, meses depois, passei como professora efetiva para a cadeira de Design do Espetáculo, no CECULT/UFRB, isso, inacreditavelmente para mim, foi o primeiro semestre.

No segundo, produzi o projeto do livro “Caminho”, de Mariana David, produzi também o show “Vulcanidades”, de Lívia Nery, mudei de casa cruzando a Contorno, Santo Antônio-Canela, estreei “Floresta debaixo do mar”, a convite de Leonel Henckes e Christina kyriazidi, minha primeira direção de peça adulta, processo que me fez conhecer pessoas incríveis; voltei em cartaz com “Parece Bolero”, com nova escritura e novas parcerias, com Gildon Oliveira no texto comigo, Juliana Molla, repeteco na assistência de direção, e os parceiros de sempre, Márcio, René e Estevam; escrevi/colaborei com, seguramente, mais de dez projetos para editais diversos, bem mais, nos quais dois foram aprovados, um de circulação de “Para o menino-bolha”, em parceria com a Giro Produções, outro grande encontro do ano, e, um do Nariz de Cogumelo, cuja peça de celebração de dez anos de grupo irei escrever e dirigir, daqui a pouquinho. Antes do ano se encerrar, finalizei a produção do Tripa, fiz a primeira parte da preparação de elenco da série “A professora de piano”, a convite de Henrique Filho e Edson Bastos e tomei posse na UFRB.

Foi um ano farto de atravessamentos, cavados e conquistados. No fim das contas, dormi pouco, mas cresci muito. No Natal, quando levei minha mãe e minha avó para passar dois dias num hotel fazenda, nossa comemoração a três, pelo aniversário de 94 anos da vó, minha posse no concurso e o fato de estarmos vivas e saudáveis nesse mundo louco e imprevisível, desejei profundamente o luxo do tempo, para elas, para o nada, para mim, o enorme benefício de poder continuar gerindo e decidindo sobre o uso do meu tempo aqui neste planeta. Voltei de viagem e fiz um pão, com minhas mãos e com tempo, tempo de fermento. Esperei muito esse ano, esperei, esperei, aprendi a ter muitas paciências. Ainda estou engatinhando nisso, o trânsito que o diga. Saber esperar é meu grande desafio, selecionando melhor os temperos, as paciências. Para o bem e para todas as outras coisas, com ação e emoção.

Saravá!

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