Arquivo da tag: Soltos

Sem título

Postado em 28 de julho de 2016

Um futuro saliente, uma baleia de plástico no chão, dedo no teclado, até onde a vista alcança, a busca por uma imagem que dê conta de respirar suave no focinho do cachorro, não há moscas para espantar, mas há tanta violência, daquela miúda, que adia, e espanto, muito espanto, e isso não é nada, nonada, só a concentração pedindo passagem, rajada de foco, congo blue, o verbo sagrado de hoje foi a-v-a-n-c-e, mas não se mate, Carlos, não se mate.

Tags:
Compartilhe:

Gestão

Postado em 10 de setembro de 2015

Nessa ideia de escrever de novo, dormi abraçada com Grande Sertão: Veredas. Nunca finalizei a leitura. Tenho medo de acabar a história. Demorei dois anos lendo Kundera. E morro de saudade de Teresa. No Dicionário de Guimarães, artista vem imediatamente antes de árvore. A minha, nas costas, está desbotando. É o que sinto. Não vejo, sinto. Eu que sofro de anestesia congênita desde aquele dia. Enfrentar a odisséia da linguagem: coragem, ele disse. Comprei mais livros do que me disponho a ler. E isso diz sobre como penso o tempo comigo. O livro te impõe isso. E eu abraço essa pergunta.

Tags:
Compartilhe:

O vulcão

Postado em 24 de agosto de 2015

Daqui de baixo, de onde ainda não posso escalar, vejo a neblina que não é fumaça, um sinal de lava, daquele calorzinho lá de dentro, altos índices de poluição natural, dizem, mas não para mim, que antecipo a carta que encerrará tudo, vejo três letras desenhadas pelo efeito do fogo, não são suas, são minhas, e piscam, de onde estou, sentada, fazendo leitura, a fumaça acima da sua cabeça tem som e tem rima, e não é neblina, uma garrafa foi aberta, vou ajeitar a alça do vestido e as taças, para a demora.

Compartilhe:

Ventosa

Postado em 26 de maio de 2015

Uma coisa fora do trabalho: carbúnculo. Não ainda. Estou pedindo permissão para soar dramática. É atualíssimo a melancia como pingente. Viver deve ser bem outra coisa. Parece que voltei. Baby, i’m back. Mas não nos dispersemos ainda. Reservo agora um momento de nada, para quando acabar a lista. Vontade de comer sonho.

Compartilhe:

Curando

Postado em 21 de maio de 2015

Uma bolinha na altura do coração. Muitas compressas de água quente depois, bolinha ameaça desinchar e volta. Nada visível. Contato com o celular? Aquele coração desejoso de comunicação, é isso? Algum chakra inominado que não aprecia centralização precisa? Um ponto escuro guarda o vulcão. Quando explodir, eu sei, não espocarão coisas prateadas. Anteontem achei que me ia dessa. Coisa que sempre me ocorre, posto que iremos todos algum dia. Drama queen, você diz. Batizada como Jéssica.  A menor mulher do mundo, tivesse uma bolinha com a minha, seria toda ela um imenso coração enfermo-flamejante.

Compartilhe:

Bicho nu

Postado em 12 de maio de 2015

Eu estava ali e ele girava em círculos. Um freio inesperado, uma coisa. Não era um tatu. Não havia casco. Um rato-gato, um gato-ratazana. Com bico de tamanduá. E muitos círculos. Me esgueirei para não atrapalhar seu movimento reflexivo. Naquele momento minha cabeça se expandiu e eu me conectei com um sentimento inexplicável de estranheza. Estávamos juntos, eu e o bicho, naquele sistema. O carro atrás de mim ignorou meu curto e exasperado drama existencial. Quase mata o meu espelho. Subi inflamada de acontecimentos moribundos. Tomei água. Engoli. Tem sido assim. Só sai nos poros o meu espanto.

Compartilhe:

Manoel, o audaz

Postado em 17 de novembro de 2014

E entre as datas de minhas duas últimas postagens, morreu o poeta.

Tags:
Compartilhe:

Raia

Postado em 17 de novembro de 2014

É cheiro de alho. Aconteceu mais cedo. Vai passar. Isso tudo que você diz ao vento, como quem fala consigo. As pessoas não são a pessoa. Eu sei, bem oitenta a construção. Ele te diria: não há problema. Diria? Uma projeção bem cuidada de sonho. Agora, sem furacões demasiados, respiro em oito tempos. Limpo a piscina côncava do umbigo. Expando. Muita dificuldade de usar o telefone, em tempos digitais, entretanto. Quero dizer que Agualusa tem me feito bem. E aquele disco. É preciso que o ano não vire da mesma maneira. Movimento, palavra de ordem. Os médicos, as receitas, os remédios. Tudo perto das decisões difíceis. Vou envelhecer em Buenos Aires, mas até lá vou livrando os pulmões como exercício.

Compartilhe:

Manoel: o menino que carregava água na peneira

Postado em 12 de novembro de 2014

Ontem fez notícia de que Manoel está morrendo. Lembro da garça que ele fez verbo. E que passei a querer escrever sobre o chão, aprendendo dele essa beleza. A gente vai se trançando ao que gosta. Tive vontade de chorar. Saudade, revés de um parto. Quis defender a eutanásia, para ele sofrer menos. Li uma reportagem. Pensei em sincronicidades. E no contrário disso. Estou acompanhando e pré-sentindo. Que faça uma curva brilhante, rio acima, céu abaixo, rumo a um chão mais macio.

Compartilhe:

Dois sonos

Postado em 28 de agosto de 2014

Tão cansada, que dormir é difícil. Fatiga de trabalho. Banzo. E acúmulos brilhantes de beira de estrada. A imagem procede, mas sem beleza alguma. Já tenho data, já tenho metas. As usual. Banho, chá, aquelas águas. Vai dar certo. Não vai? Trevo embaixo do travesseiro para dar sorte.

Tags:
Compartilhe: