Arquivo da tag: Vandalismos do Coração

Pequeno relicário de coisas laranjas

Postado em 8 de janeiro de 2013

Pensando em pé, eu bem que poderia ter feito escolhas diferentes. Coloquei a música da chuva para inspirar e. Síncope. Como aquelas que planejo fazer em peças. Circulo por essa casa que não é minha como se fosse. De novo aquela história do corpo-abrigo. Vislumbro quase todas as portas. Vislumbro as possibilidades de surpresa. Tenho febre. Frio somente às terças. No fim do corredor e em todas as partes, o hábito de colecionar. Reafirmo que quero cada vez mais ter menos coisas. No meu guarda-chuva, paisagens sem foto, sabores irrepetíveis, o calor da amizade e do amor. É preciso jogar fora os sacos de areia.  É preciso jogar fora os sacos de areia.  É preciso jogar fora os sacos de areia.  E que assim seja.

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UP e os olhos de quem vê

Postado em 27 de dezembro de 2012

Ficção que encurrala, tombo sem saída. Primeiro ele faz a casa voar, depois de perder um amor e a possibilidade de viver como gostaria. Complica quando encontra companhia na varanda, no céu. Para no lugar errado. Resolve caminhar com a casa e os balões presos ao corpo. Ele queria levar a casa para o lugar dos sonhos. Tenta não se comprometer com a novidade, tenta não se responsabilizar por ninguém. Conhece a grande referência e a grande referência vira uma grande ameaça às novidades. Mas ele não queria as novidades, ele queria levar a casa e os balões para o lugar dos sonhos. A grande referência tentar atear fogo à casa para atingir seu objetivo. Ele salva a casa. Ficção que encurrala, beco sem saída. A companhia quer salvar, mote clássico, algo precisa ser salvo. Ponto de virada, clássico, rever o velho álbum a ser preenchido com grandes aventuras. Ver e se dar conta de que as aventuras já haviam acontecido, e foi o amor quem fez isso. Prestar atenção na vida. Descobrir outros sentidos. E parece tarde demais. Ficção que encurrala, sem porta de saída. Ali, tudo pode, as lições da verossimilhança, a tal, aquela. Ele vai, ele salva, ele resolve. Ocupado em lidar com as urgências de novas necessidades, ele nem nota o momento em que a casa foi embora voando. Na asa de um zepelim: it’s just a house. Um novo álbum será preenchido por novas memórias, mas eu paro ali. Estou na asa e na casa ao mesmo tempo. Penso em bagagem, peso, leveza e escolhas. Verei esse filme sempre que precisar de novas metáforas para o tempo, esse assunto inesgotável. A casa e os balões chegaram ao lugar dos sonhos. E ele amarrou o zepelim a uma nova casa.

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